Os Estados Unidos afirmam-se claramente como o nosso maior mercado, com taxas de crescimento excelentes e consistentes. Temos cada vez maior notoriedade neste mercado, há cada vez mais artigos de imprensa positivos quanto ao Vinho Verde. Estamos também a sair passo a passo da comunidade portuguesa. Na CVRVV recebemos continuamente pedidos de novos importadores.
É também o mercado onde investimos mais na promoção da DO: nos EUA temos uma representação permanente em NY com uma das principais agências do país, que aliás trabalha com os Vinhos Verdes e os vinhos da Alemanha. Diria que nos EUA a roda está em funcionamento e os volumes vão crescer no futuro previsível. Precisamos é de trabalhar o valor. Há colegas a colocar vinhos a preços "demasiado competitivos" que retiram valor a toda a categoria. Ora precisamos é de criar valor e não apenas volume.
A Alemanha continua com uma economia forte, é um grande importador de vinhos de todo o mundo e sempre consumiu muito Verde, seja pela comunidade Portuguesa seja pelos próprios Germânicos. É um país de grandes supermercados, o que coloca pressão no preço. Estamos todos a investir muito na promoção do Verde naquele país. E os números justificam-no.
A França é aquele automóvel que anda sem gasóleo: nem nós nem os produtores investem naquele mercado valores consideráveis na promoção e porém os resultados são excelentes. Duas observações aqui.
Por um lado, a França nega o mito da "morte dos emigrantes". Com frequência se diz que os emirantes são uns velhinhos que vão morrer todos e depois ninguém vai consumir produtor Portugueses nesses mercados. É um disparate, é ver os números. A comunidade Portuguesa, bem como a luso-descendente em França, consome. Note que a "nova emigração" não é aqui um factor a considerar pois a França não é um destino típico.
Claro que em França há um segundo factor que escapa à estatística que é o mercado paralelo. É registado como importado em França vinho que efectivamente vai para aquele país mas que depois pode seguir para outros ( Belgica Lxemburgo ) ou até regressar cá, para arbitrar diferenças de pvp nos diversos países.
O Canadá é um outro mercado onde estamos a crescer de forma muito consistente, um país organizado, onde sempre tivemos uma presença graças á nossa comunidade e onde há uma grande cultura do vinho.
Para analisar estruturalmente estes crescimentos, a tabela em baixo demonstra a evolução dos nossos 10 mercados principais ( de hoje ) ao longo do período de 1992 a 2012.
Um período muito longo portanto, que nos dá números sólidos. Para diluir efeitos sazonais, considerei a evolução entre os dois primeiros e os dois últimos anos do período. Para todos estes mercados exportamos mais de 500.000 litros,pelo que os efeitos de um negócio particular não desvirtuam os resultados. Os números são em % face ao início do período.
Os EUA e o Canadá são sem dúvida os destinos que melhor se comportaram no período. Crescem muito e de forma consistente ( veja a tabela de base no site da CVRVV ).
O Brasil cresce mas é um mercado onde todos temos a noção de que ainda não entramos a sério. Talvez a imagem do VV, demasiado ligada ao emigrante português não seja fácil de corrigir. O facto de o Brasil ser um mercado para onde se vende Verde tinto só sublinha este argumento. Estamos agora mesmo a fazer uma feira de VV no Pão de Açúcar e vamos a ver que negócios gera para futuro.
O Reino Unido é um mercado que questiono cada vez mais. Questiono aliás se não é um desperdício o que investimos em promoção naquele país e se não seria de bom senso aplicar esse mesmo valor onde os ganhos marginais sejam maiores.
Pessoalmente gosto imenso do RU, vou lá com frequência, ali tenho amigos e família até. Mas em termos de negócio do VV o RU é um bluff. Historicamente, culturalmente, todos nós portugueses temos uma genética admiração pela "Inglaterra". Não sabemos bem porquê, mas temos. Depois, no vinho, há o argumento de que o RU é a montra do mundo, pelo que estar em Inglaterra significa abrir portas para todo o lado. Sinceramente, vejo cada vez menos factos que sustentem este argumento. Em Inglaterra andamos nós e os produtores a gastar fortunas, num mercado que pouco mais quer do que preço.
Ao longo da última década não se passava um ano em que não aparecesse um político que não apontasse a Espanha como o grande destino das exportações.
A extinta DRAEDM (organismo Regional do Min Agricultura ) todos os anos fazia uma peregrinação para a "muito importante" feira de Silleda na Galiza, que iria abrir fabulosas portas de negócio. E sempre que um Ministro ia a Espanha lá nos apontava aquele mercado do nosso futuro. Felizmente ninguém lhes deu ouvidos. Apontamento para futuro: quem decide onde se investe e para onde se exporta é o cliente de lá que compra ( ou não ) e não os bitaites dos políticos.
Um último ponto quanto ao oriente.
A CVRVV tem recursos muito limitados para a promoção, pelo que a nossa opção estratégica é de investir fortemente e de forma consistente no tempo em poucos mercados. Ora os mercados onde podemos obter ganhos marginais mais interessantes são aqueles onde já temos um pé. Esta é aliás uma otima fronteira entre a CVR e a Viniportugal. Para um produtor queira queira baralha um mercado como a China, aí aconselhamos claramente que use os serviços daquela associação. Na China, Portugal é pequeno e o VV mais pequeno ainda. As CVR's devem operar em mercados específicos de cada DO e ser fortes nestes. Pelo contrário, a Viniportugal pode e deve ter uma visão global e além disso ser forte nos mercados onde o país ainda está a semear.
Em resumo, os últimos 20 anos, mas sobretudo os últimos 8 tem proporcionado à Região uma verdadeira revolução no que ao mercado diz respeito. Claramente estamos a fazer melhores vinhos, estamos a trabalhar melhor a sua comercialização e os mercados estão a responder de forma muito positiva.
Ao longo destes anos ouvimos muito disparate, geralmente de gente que não está no negócio. Não me esqueço de uma reunião com especialistas que nos indicava que deveríamos abandonar as castas da região e plantar Gewürztraminer e Chardonnay.
E uma apresentação ( aliás no Conselho Geral da Região ) que nos indicava que a marca Vinho Verde estava esgotada e deveríamos criar uma nova. Ainda na semana passada ouvi um disparate parecido.
A verdade é que a marca está fortíssima, está a atrair novos investidores e clientes. Saibamos ser serenos, trilhar o nosso próprio caminho fazer vinhos diferenciados, gerar valor e ser profissionais.
E beber ! sim, porque isto não vai a lado nenhum se os maiores fans do Vinho Verde não formos nós !

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