domingo, 13 de julho de 2014

Exportações Totais de Vinho Verde (Litros) - Anos de 1996 a 2013


Exportação Vinho Verde em litros

Exportações Totais de Vinho Verde (Litros) - Anos de 1996 a 2013
Fonte: Instituto Nacional de Estatística - Portugal

terça-feira, 1 de julho de 2014

Sistemas tradicionais de cultura do vinho verde!!!!


Viticultura - Sistemas de Condução Tradicionais
Um dos traços mais típicos da paisagem do Noroeste de Portugal consiste nas ramadas que cobrem os caminhos e nas videiras entrelaçadas com árvores nas bordas dos campos. Grande parte da produção de vinhos provém ainda dessas videiras e o seu carácter está tão ligado às condições naturais da região como a essas formas de instalação de vinha.

Sistemas de condução tradicionais:
Uveiras
Arjões
Ramadas

Existem, ainda, outros sistemas de condução modernos (bardo, cruzeta e cordão).


Uveiras

A forma de instalação de vinha mais famosa e ancestral na região dos vinhos verdes é a uveira, ou vinha de enforcado. Junto a uma árvore, um castanheiro, um choupo ou um plátano plantam-se de uma a quatro videiras que se deixam crescer livremente, entrelaçando-se com os ramos da árvore de suporte (que são violentamente podadas para dar maior relevo à videira). Estas videiras podem atingir enormes proporções. Não exigem espaço nem adubação próprios, satisfazem-se muitas vezes com podas ano sim, ano não, e ainda por cima cada pé pode produzir vários cestos de uvas.

A economia que parecem proporcionar, no entanto, resulta em vinhos de inferior qualidade: a possibilidade de doenças é grande, os tratamentos são difíceis, a maturação das uvas tardia e muitas vezes incompleta, os teores de açúcar - e, portanto, de álcool - sempre baixos, a vindima, feita com enormes escadas de «passais», um perigo constante.


Arjões

Entre as várias árvores plantadas nas bordaduras dos campos era usual estender fios de arame até à altura de 6 a 8 metros e deixar as videiras subir e expandir-se. Temos então os arjões ou arjoados, resultantes de uma evolução e intensificação das uveiras relacionadas com a difusão do arame. Tal como os enforcados, estes arjões são típicos de uma produção vinícola em regime de agricultura intensiva, não especializada, consociada com variadas outras culturas, e que tira proveito de uma produção que praticamente não ocupa espaço no solo e não requer dispêndio de mão-de-obra.

O que se disse em relação aos enforcados aplica-se, regra geral, aos arjões. Se a possibilidade de contrair doenças das árvores de suporte é menor, já o perigo da vindima e das podas, com as longas escadas encostadas a arames cuja resistência deixa tanto a desejar, pode ser considerado ainda maior. Quanto à qualidade, não há diferenças significativas entre uns e outros.


Ramadas

As ramadas ou latadas consistem, em termos gerais, em estruturas horizontais , de ferro ou de madeira e arame e assentes sobre esteios, geralmente de granito. Estas estruturas vêem-se com frequência sobre caminhos, largos, logradouros públicos como tanques e fontes, ou na orla dos campos, podendo também aparecer, mais raramente, em sistema de vinha contínua (neste caso apresentam uma forma em dente de serra, isto é, oblíquas e não paralelas ao solo).

No seu sentido mais comum, trata-se de um sistema que permite aproveitar produtivamente espaços improdutivos, ou sobrepor-se a outras culturas; é frequente, com efeito, cultivar batatas debaixo de ramadas, quando na orla de campos ou em regime de vinha contínua.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Viticultura e os modernos sistemas de plantação do Vinho Verde!!!!


Viticultura - Sistemas de Condução Modernos

A instalação de vinhas modernas na região dos vinhos verdes requer estruturas de suporte diferentes de qualquer outra região. 
De facto, e para que as características destes vinhos se mantivessem, os sistemas de condução modernos foram concebidos para facilitar os amanhos das vinhas e melhorar as condições de produção sem alterar os princípios tradicionais da cultura da vinha.

Sistemas de condução modernos são:
Bardo
Cruzeta
Cordão

Existem, ainda, outros sistemas de condução tradicionais (uveiras, arjões e ramadas).


Bardo

O bardo é o sistema de condução de vinha contínua baixa mais antigo na região, havendo exemplos de plantações deste tipo nos últimos cem anos. Consiste numa linha de esteios com 1,5 a 2 metros de altura, espaçados de 6 a 8 metros, que sustentam 4 a 6 arames. As videiras são plantadas geralmente num compasso apertado (cerca de 1 metro de intervalo) e espalmadas, permitindo-se que comecem a frutificar à altura do primeiro arame, ou seja, muito próximo do solo.

Este sistema de condução, em que as linhas de videiras distam cerca de 3 metros entre si, permite o tratamento mecanizado e simplificação da vinha. O seu maior inconveniente situa-se na poda excessiva que o sistema implica, originando desequilíbrios vegetativos e produtivos. 
Na realidade estas vinhas têm uma longevidade bastante curta e uma produção irregular.


Cruzeta

A cruzeta é um sistema de condução de vinhas contínuas desenvolvido na região e em voga a partir da década de 70. Na sua forma original, consiste num poste vertical com 2 metros de altura ou mais e outro horizontal, formando uma cruz. O poste horizontal mede entre 1,5 a 2 metros e deve situar-se entre 1,5 e 2,5 metros do solo. As extremidades dos braços das sucessivas cruzes, que devem distar entre si 5 a 8 metros, são unidas por um fio de arame. Junto de cada cruzeta plantam-se quatro videiras que acompanham, aos pares, os braços da cruz, seguindo depois cada uma o seu arame.

As videiras assim plantadas são depois podadas de forma a que a folhagem e os frutos se desenvolvam apenas na parte da planta que se apoia sobre o arame, formando dois longos cordões paralelos. Este formato-base tem sofrido algumas alterações, sendo de destacar as seguintes:
a utilização de uma terceiro arame unindo o topo das cruzetas e servindo de suporte a duas outras videiras que acompanham o poste vertical;
A utilização do sistema de suporte das videiras, mas associado a diferentes formas de plantação (tanto podem ser colocadas duas a duas como isoladamente e tanto podem ser plantadas no enfiamento dos postes verticais como directamente debaixo dos arames).

As críticas dirigidas a este sistema de condução reportam-se, do ponto de vista técnico, à plantação e às dificuldades de tratamento das videiras.

Assim, tem-se verificado que a morte de um pé de videira conduz frequentemente à morte de todas as que foram plantadas na mesma cova e cujas raízes se desenvolveram em íntima ligação.Por outro lado, as pulverizações de cruzetas exigem particulares cuidados, uma vez que o lado «de dentro» fica mal exposto aos tratamentos mecanizados. Acresce ainda que a existência de um só arame e de videiras expostas lado a lado, dando azo a que a sua vegetação se entrelace, propiciando ensombramentos prejudiciais à maturação e favoráveis ao desenvolvimento de doenças criptogâmicas.

Do ponto de vista económico, uma vinha instalada em cruzeta demora em média 8 anos para atingir a sua produção de cruzeiro.



Cordão

O cordão é outro sistema de condução das videiras desenvolvido na região e ultimamente em fase de expansão, podendo ser considerado uma evolução das cruzetas, uma vez que o tipo de condução das videiras é idêntico, embora se assemelhe pela estrutura de suporte aos antigos bardos. Tal como os bardos, a estrutura de suporte é constituída por linhas de esteios espaçados entre 6 e 8 metros e distantes entre si de 2,5 a 3 metros, nos quais se apoiam arames, a partir de 1,2 metros de altura.

O príncipio fundamental consiste em fazer a videira chegar a esses arames sem ramificação, deitando-se de seguida sobre ele, tal como sucede nas cruzetas, para aí se situar a zona vegetativa e produtiva.

Pode optar-se por cordão simples, havendo, nesse caso, um só arame de apoio à videira (a cerca de 1,5 metros do solo) e um ou dois arames mais finos para permitir que o desenvolvimento vegetativo se agarre e melhore assim a exposição das folhas e sobretudo dos cachos; ou por cordão sobreposto, havendo então dois arames para suportar as videiras (o primeiro, ligeiramente mais baixo do que no caso do cordão simples; o segundo, uma altura idêntica aquela que se verifica nas cruzetas) e um outro de apoio ao desenvolvimeto vegetativo da videira que ocorre no arame superior.

O sistema de cordão parece ser o que menos problemas levanta do ponto de vista técnico, uma vez que a facilidade de tratamento é grande, as probabilidades de contágio radicular de videiras doentes bastante diminutas, a exposição e arejamento razoavelmente bem conseguidos. No entanto, o cordão duplo ou sobreposto pode ser acusado de provocar um excessivo ensombramento da videira do arame inferior e de, por vezes, exigir que a poda e a vindima da videira superior se façam com o auxílio de escadotes ou do reboque do tractor.

Do ponto de vista económico, a produção de cruzeiro de uma vinha instalada em sistema de cordão simples deverá ocorrer ao quarto ano e não deverá ultrapassar as 18 pipas por hectare. Quanto às vinhas em cordão sobreposto, a produção de cruzeiro de 20 pipas por hectare atinge-se ao sexto ano de plantação.