segunda-feira, 30 de junho de 2014

Viticultura e os modernos sistemas de plantação do Vinho Verde!!!!


Viticultura - Sistemas de Condução Modernos

A instalação de vinhas modernas na região dos vinhos verdes requer estruturas de suporte diferentes de qualquer outra região. 
De facto, e para que as características destes vinhos se mantivessem, os sistemas de condução modernos foram concebidos para facilitar os amanhos das vinhas e melhorar as condições de produção sem alterar os princípios tradicionais da cultura da vinha.

Sistemas de condução modernos são:
Bardo
Cruzeta
Cordão

Existem, ainda, outros sistemas de condução tradicionais (uveiras, arjões e ramadas).


Bardo

O bardo é o sistema de condução de vinha contínua baixa mais antigo na região, havendo exemplos de plantações deste tipo nos últimos cem anos. Consiste numa linha de esteios com 1,5 a 2 metros de altura, espaçados de 6 a 8 metros, que sustentam 4 a 6 arames. As videiras são plantadas geralmente num compasso apertado (cerca de 1 metro de intervalo) e espalmadas, permitindo-se que comecem a frutificar à altura do primeiro arame, ou seja, muito próximo do solo.

Este sistema de condução, em que as linhas de videiras distam cerca de 3 metros entre si, permite o tratamento mecanizado e simplificação da vinha. O seu maior inconveniente situa-se na poda excessiva que o sistema implica, originando desequilíbrios vegetativos e produtivos. 
Na realidade estas vinhas têm uma longevidade bastante curta e uma produção irregular.


Cruzeta

A cruzeta é um sistema de condução de vinhas contínuas desenvolvido na região e em voga a partir da década de 70. Na sua forma original, consiste num poste vertical com 2 metros de altura ou mais e outro horizontal, formando uma cruz. O poste horizontal mede entre 1,5 a 2 metros e deve situar-se entre 1,5 e 2,5 metros do solo. As extremidades dos braços das sucessivas cruzes, que devem distar entre si 5 a 8 metros, são unidas por um fio de arame. Junto de cada cruzeta plantam-se quatro videiras que acompanham, aos pares, os braços da cruz, seguindo depois cada uma o seu arame.

As videiras assim plantadas são depois podadas de forma a que a folhagem e os frutos se desenvolvam apenas na parte da planta que se apoia sobre o arame, formando dois longos cordões paralelos. Este formato-base tem sofrido algumas alterações, sendo de destacar as seguintes:
a utilização de uma terceiro arame unindo o topo das cruzetas e servindo de suporte a duas outras videiras que acompanham o poste vertical;
A utilização do sistema de suporte das videiras, mas associado a diferentes formas de plantação (tanto podem ser colocadas duas a duas como isoladamente e tanto podem ser plantadas no enfiamento dos postes verticais como directamente debaixo dos arames).

As críticas dirigidas a este sistema de condução reportam-se, do ponto de vista técnico, à plantação e às dificuldades de tratamento das videiras.

Assim, tem-se verificado que a morte de um pé de videira conduz frequentemente à morte de todas as que foram plantadas na mesma cova e cujas raízes se desenvolveram em íntima ligação.Por outro lado, as pulverizações de cruzetas exigem particulares cuidados, uma vez que o lado «de dentro» fica mal exposto aos tratamentos mecanizados. Acresce ainda que a existência de um só arame e de videiras expostas lado a lado, dando azo a que a sua vegetação se entrelace, propiciando ensombramentos prejudiciais à maturação e favoráveis ao desenvolvimento de doenças criptogâmicas.

Do ponto de vista económico, uma vinha instalada em cruzeta demora em média 8 anos para atingir a sua produção de cruzeiro.



Cordão

O cordão é outro sistema de condução das videiras desenvolvido na região e ultimamente em fase de expansão, podendo ser considerado uma evolução das cruzetas, uma vez que o tipo de condução das videiras é idêntico, embora se assemelhe pela estrutura de suporte aos antigos bardos. Tal como os bardos, a estrutura de suporte é constituída por linhas de esteios espaçados entre 6 e 8 metros e distantes entre si de 2,5 a 3 metros, nos quais se apoiam arames, a partir de 1,2 metros de altura.

O príncipio fundamental consiste em fazer a videira chegar a esses arames sem ramificação, deitando-se de seguida sobre ele, tal como sucede nas cruzetas, para aí se situar a zona vegetativa e produtiva.

Pode optar-se por cordão simples, havendo, nesse caso, um só arame de apoio à videira (a cerca de 1,5 metros do solo) e um ou dois arames mais finos para permitir que o desenvolvimento vegetativo se agarre e melhore assim a exposição das folhas e sobretudo dos cachos; ou por cordão sobreposto, havendo então dois arames para suportar as videiras (o primeiro, ligeiramente mais baixo do que no caso do cordão simples; o segundo, uma altura idêntica aquela que se verifica nas cruzetas) e um outro de apoio ao desenvolvimeto vegetativo da videira que ocorre no arame superior.

O sistema de cordão parece ser o que menos problemas levanta do ponto de vista técnico, uma vez que a facilidade de tratamento é grande, as probabilidades de contágio radicular de videiras doentes bastante diminutas, a exposição e arejamento razoavelmente bem conseguidos. No entanto, o cordão duplo ou sobreposto pode ser acusado de provocar um excessivo ensombramento da videira do arame inferior e de, por vezes, exigir que a poda e a vindima da videira superior se façam com o auxílio de escadotes ou do reboque do tractor.

Do ponto de vista económico, a produção de cruzeiro de uma vinha instalada em sistema de cordão simples deverá ocorrer ao quarto ano e não deverá ultrapassar as 18 pipas por hectare. Quanto às vinhas em cordão sobreposto, a produção de cruzeiro de 20 pipas por hectare atinge-se ao sexto ano de plantação.

Enxertia e Poda do Vinho Verde


Amanho da Vinha do Vinho Verde


As vinhas em que se produzem os vinhos verdes estão sujeitas a amanho que, em grande parte, não diferem daqueles que se praticam noutras regiões:

  1. Enxertia
  2. Poda
  3. Empa
  4. Rega



  1. Enxertia

A enxertia é uma operação que se pratica nas vinhas plantadas com pés de videira resistentes à filoxera. Esta operação, que permitiu salvar a vitivinicultura europeia em finais do século passado, consiste em juntar a um pé de videira devidamente enraizado material vegetativo de uma casta à escolha.

Hoje em dia, nas novas vinhas, utilizam-se bacelos certificados, sendo os mais frequentes o SO4, o 196-17 e o 161-49. A escolha do bacelo tem de atender a dois factores:
à natureza do solo onde vai ser plantado
às características da casta com que vai ser enxertado

Nesta região, o método de enxertia mais comum é o do garfo atempado. Durante o período de repouso vegetativo corta-se o tronco da videira e, consoante o diâmetro do bacelo, abre-se uma ou duas fendas com uma navalha. Pega-se então num garfo com dois ou três gomos, apara-se uma ponta em forma de cunha e coloca-se na fenda aberta na videira. O enxerto é amarrado com ráfia e coberto com terra.



  1. 2.  Poda 

A poda é uma operação realizada anualmente, durante o período de descanso vegetativo. Dada a grande exuberância que atingem as videiras nesta região e as óbvias dificuldades de mecanização que esta operação apresenta, a poda é um trabalho moroso que consome muita mão-de-obra.

O que torna a poda uma operação exigente é o facto de ser necessário proceder a um equilíbrio da carga deixada em cada videira. Aqui reside o maior óbice à mecanização, uma vez que cada videira tem de ser considerada individualmente. Desse correcto equilíbrio dependerá o regular desenvolvimento da planta, por um lado, e, por outro, uma relação entre a quantidade e a qualidade das uvas da próxima vindima.

Uma poda que permita um exagerado desenvolvimento da planta durante o ciclo vegetativo que se vai seguir levará a uma elevada produção de uvas de baixa qualidade. Pelo contrário, uma poda demasiado severa poderá vir a traduzir-se num crescimento muito intenso de matérias verdes em prejuízo da qualidade dos cachos.

3.Empa

A empa é uma operação que se realiza em simultâneo com a poda e que consiste em dobrar a vara que se deixa e amarrá-la a um arame.

Nesta região, a empa estava associada apenas às ramadas, uma vez que os enforcados e os arjoados a não permitem. Hoje em dia, as vinhas instaladas em sistema de sylvoz requerem que se proceda a esta operação.

A empa tem, como contribuíção positiva para o processo produtivo, o facto de permitir uma regularização da rebentação. No entanto, provoca um aumento de mão-de-obra, o que naturalmente se reflecte nos custos de produção.

4 .Rega

A videira necessita de água em três momentos do seu ciclo anual:
no início do crescimento vegetativo, que ocorre no princípio da Primavera;
depois da alimpa, quando o bago começa a crescer;
na época da maturação, para permitir a transformação dos ácidos em açucares.

Dadas as condições climáticas da região dos vinhos verdes, raras vezes será necessário regar a não ser no terceiro caso.

Nos meses de Julho e Agosto, que se podem considerar secos, uma vez que a precipitação média é inferior a 30 mm, é normal haver dois ou três dias, pelo menos, de chuva fraca. Regra geral, tal poderá ser suficiente para satisfazer as necessidades da videira. Porém, quando o ano é extremamente seco, dificilmente se consegue um amadurecimento dos cachos sem se proceder a regas.

Assim como em anos molhados o equilíbrio entre a quantidade e a qualidade do vinho se altera em desfavor desta (diz-se que o bom vinho é o que passa fome e sede), em anos secos a qualidade pode acompanhar a quantidade na sua queda, se não forem tomadas medidas correctivas.

Neste sentido, a rega, entendida como uma medida correctiva com o intuito de corrigir desequilíbrios climatéricos e não como um expediente para aumentar artificialmente a produção em detrimento da sua própria qualidade, é algo de que os vitivinicultores da região dos vinhos verdes não poderão abdicar.

Nas negociações de adesão à CEE, Portugal assumiu o compromisso de proibir a irrigação das vinhas. No entanto, e uma vez que os vinhos verdes terão de ser alvo de medidas especiais por parte do Conselho das Comunidades antes do fim do período de transição, é de esperar que este ponto venha a receber tratamento adequado.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Historia de Selos do vinho Verde


Historia de Selos do vinho verde

A evolução dos mercados e a valorização crescente da denominação «Vinho Verde» aconselhava, de há muito, o aperfeiçoamento das medidas de salvaguarda da sua origem e qualidade.

Contudo, só em 1959 o Decreto-Lei n.º 42590 de 16 de Outubro cria o selo de garantia e o Decreto n.º 43 067 de 12 de Julho de 1960 publica o respectivo regulamento.

Outro marco importante foi o reconhecimento de um estatuto próprio para as aguardentes vínicas e bagaceiras produzidas nesta região demarcada, o que aconteceu em 1984 com o Decreto-Lei 39/84 de 2 de Fevereiro.

SELOS DE GARANTIA
Fase 1 - até 19XX
Fase 2 - até 19XX
Fase 3 - desde Abril de 1997 até Dezembro de 2011
Fase 4 - desde Janeiro de 2012

FASE 1 - Vinhos Verdes e Aguardentes


Selo cavaleiro para Vinho Verde
Selo cavaleiro para aguardentes vínicas e bagaceiras envelhecidas, inferior a 0,15 l.
Selo cavaleiro para aguardentes bagaceiras, inferior a 0,15 l.
Selo cavaleiro para aguardentes vínicas e bagaceiras envelhecidas, superior a 0,15 l.
Selo cavaleiro para aguardentes bagaceiras, superior a 0,15 l.

FASE 2 - Vinhos Verdes
Selo cavaleiro para Vinho Verde, inferior a 3 dl.
Selo cavaleiro para Vinho Verde, 3 dl. a 6 dl.
Selo cavaleiro para Vinho Verde, 6 dl. a 1 l.
Selo cavaleiro para Vinho Verde, 1 l. a 5,3 l.
      


Selos de rótulo para Vinho Verde, inferior a 3 dl., 3 dl. a 6 dl., 6 dl. a 1 l., 1 l. a 3 l.

FASE 2 e 3 - Aguardentes
Selo cavaleiro para Aguardente Vínica de Vinho Verde, inferior a 0,15 l.
Selo cavaleiro para Aguardente Vínica de Vinho Verde, superior a 0,15 l.
Selo de rótulo para Aguardente Vínica de Vinho Verde.
Selo cavaleiro para Aguardente Bagaceira de Vinho Verde, inferior a 0,15 l.
Selo cavaleiro para Aguardente Bagaceira de Vinho Verde, superior a 0,15 l.
Selo de rótulo para Aguardente Bagaceira de Vinho Verde.
Selo cavaleiro para Aguardente Vínica de Vinho Verde, miniaturas inferiores a 0,15 l.


Selo cavaleiro para Aguardente Bagaceira de Vinho Verde, miniaturas inferiores a 0,15 l.

FASE 3 - Vinhos Verdes
Selo cavaleiro para Vinho Verde, 1 l. a 5,3 l.
  
Selos de rótulo para Vinho Verde, inferior a 3 dl., e 3 dl. a 6 dl.
  


Selos de rótulo para Vinho Verde, 6 dl. a 1 l., e 1 l. a 3 l.

FASE 4 - Vinhos Verdes
Selo Vinho Verde