quinta-feira, 22 de maio de 2014

Produção de Vinho Verde em Amarante

Produção de Vinho Verde em Amarante

“São produzidos, na cidade, cerca de seis milhões de litros de vinho verde. Se lhe atribuirmos um preço médio, entre 0,50 e 0,70 cêntimos, já é possível ver os milhões de euros que representa, a criação de riqueza e os postos de trabalho que mantém aqui no concelho”, sublinhou o presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, Manuel Pinheiro, durante a intervenção em mais uma sessão de “Conversas à mesa”, no âmbito da iniciativa “Amarante à mesa”, promovida pela Associação Empresarial local.
À mesa, no Restaurante Zé da Calçada, juntamente com Manuel Pinheiro, sentaram-se o presidente da Associação Empresarial de Amarante (AEA), Luís Miguel Ribeiro, o presidente da Proviverde, Castelo Branco, e o enólogo e membro da Confraria de Vinho Verde, Ricardo Torres. A moderação esteve a cargo de Delfim Carvalho, do Amarante TV.
“Entendemos que o vinho verde deve ser promovido com a gastronomia e que fazia sentido tratar este assunto nestas conversas à mesa”, explicou Luís Miguel Ribeiro, quando questionado sobre a escolha do tema.

“Desafio para Amarante”
Durante a sua intervenção, Manuel Pinheiro abordou a importância do concelho valorizar a produção do vinho verde. “Amarante produz grandes massas vínicas, tem belíssimas uvas mas não consegue transformá-las em marcas de Amarante. Isto é um desafio para a cidade, o de valorizar a produção, mais até do que aumentar essa produção”, frisou.

Amarante sempre foi, em termos históricos, uma referência de vanguarda na produção de vinho verde. Como sublinhou o presidente da Proviverde, Castelo Branco, “é o concelho produtor de vinho mais importante da região e a sua sub-região é a que se apresenta com uma maior qualidade”.
“São vinhos únicos. Não há mais nenhuma região no mundo que produza vinhos verdes com esta qualidade”, defendeu o enólogo Ricardo Torres que expressou, igualmente, a necessidade de exportar o vinho para que possa ser “reconhecido e apreciado”. Uma ideia partilhada pelo presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, que destacou a capacidade do vinho verde em internacionalizar-se e tornar-se rentável. “Não devemos prescindir da região e do mercado nacional, mas temos o dever de começar a vender o verde tinto para o exterior. O concelho produz dois milhões de litros por ano e, portanto, precisa de exportar para crescer”, referiu Manuel Pinheiro.

“Criar escala e riqueza”
Ainda no âmbito de internacionalizar o vinho verde, o presidente da AEA relembrou a necessidade de agrupar os vários microprodutores existentes no concelho para que, assim, se ganhe dimensão e se chegue a outros mercados. “Dos produtos do sector primário este é talvez aquele que mais tem crescido. Se tivermos capacidade de criar escala, com a qualidade e a produção que temos, certamente, iremos conseguir aqui um produto que, em termos económicos, terá mais valor para a região”, mencionou Luís Miguel Ribeiro.

Sobre esta capacidade de produção de Amarante, o presidente da Proviverde, Castelo Branco, deixou uma garantia: “Temos uma área vitícola capaz de manter o papel da nossa sub-região como uma das de maior relevo na área de viticultura da região de vinhos verdes”.

Ciente do potencial do vinho produzido no concelho, Manuel Pinheiro lançou também um desafio: “É fundamental que se ligue o Turismo à Restauração. Com o “Amarante à mesa” faz todo o sentido falar-se deste assunto. É importante que a restauração do concelho valorize o vinho que cá se produz. Devemos dar a provar o nosso vinho aos turistas, pois não faz sentido que estejam em Amarante e que lhes sejam dados a provar vinhos de outras regiões”.


Para que este desafio seja abraçado, Ricardo Torres aclara ser importante formar as pessoas para que conheçam os vinhos e os possam aconselhar. O enólogo e também membro da Confraria do Vinho Verde não deixou de referir que o papel desta Associação se tem pautado pela defesa da qualidade do vinho verde como um produto de excelência, para que a sua venda possa ser dinamizada.

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